Se Deus decreta todas as coisas, então Ele é o autor do mal?



Qual é a relação de Deus e o mal que existe no mundo?


A Escritura diz:


"Quem poderá falar e fazer acontecer, se o Senhor não o tiver decretado?

Não é da boca do Altíssimo que vêm tanto as desgraças como as bênçãos?

Como pode um homem reclamar quando é punido por seus pecados"?

Lamentações 3:37-39


"Portanto, assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Causarei uma tal desgraça em Jerusalém e em Judá que os ouvidos de quem ouvir a respeito ficarão zumbindo". (2 Reis 21.12)


"Eu formo a luz e crio as trevas, promovo a paz e causo a desgraça; eu, o Senhor, faço todas essas coisas". (Isaías 45.7).


"Talvez eles escutem e cada um se converta de sua má conduta. Então eu me arrependerei e não trarei sobre eles a desgraça que estou planejando por causa do mal que eles têm praticado". (Jeremias 26.3).


"Então diga: Assim Babilônia afundará para não mais se erguer, por causa da desgraça que trarei sobre ela. E seu povo cairá”. Aqui terminam as palavras de Jeremias". (Jeremias 51.64).


Estes são alguns textos que encontramos na Escritura que nos deixam perplexos, pois trazem a ideia de Deus sendo o autor das desgraças, dos males e dos sofrimentos que os homens enfrentam. No entanto, quando examinamos estas e outras passagens entenderemos que aquilo que enxergamos como mal, na verdade é o juízo divino, isto é, Deus aplicando a sua justiça sobre os homens rebeldes.


Ao estudarmos a Palavra de Deus vamos compreender que:


Deus causa atos maus por meio das ações voluntárias humanas para cumprir os seus propósitos, sem ser o culpado pelo mal, sem encontrar prazer no mal e sem tirar a responsabilidade humana.

Sobre este assunto, Wayne Grudem diz o seguinte:


“Para tratar desta questão, melhor é primeiro ler as passagens bíblica que mais diretamente a abordam. Podemos começar pela análise de várias passagens que afirmam que Deus, de fato, provocou acontecimentos maus e fez que se cometesse atos maus. Mas é importante lembrar que em todas as passagens fica bem claro que as Escrituras, em momento nenhum, retratam Deus fazendo diretamente algo mau; retratam, sim, Deus causando atos maus por meio das ações voluntárias das criaturas morais. Além disso, as Escrituras jamais culpam a Deus pelo mal, nem dão a entender que Deus encontra prazer no mal, tampouco desculpam aos homens o mal que cometem. Seja como for que compreendamos a relação da Deus com o mal, jamais devemos chegar ao ponto de não nos julgar responsáveis pelo mal que fazemos, ou de pensar que Deus encontra prazer no mal, ou é culpado dele. Tal conclusão contraria nitidamente as Escrituras”.


Deus é o autor do mal?

Não, porque a Escritura ensina que:

Deus jamais faz o mal e jamais deve ser culpado pelo mal.

Pelas seguintes razões:


Deus não pode ser culpado pelo mal que fazemos (Tg. 1.13,14).


“Quando alguém for tentado, jamais deverá dizer: "Estou sendo tentado por Deus". Pois Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta”.

Deus não tem prazer no mal e nele o mal não reside (Sl. 5.4).


“Tu não és um Deus que tenha prazer na injustiça; contigo o mal não pode habitar”.

Deus não suporta e não tolera o mal (Hc. 1.13).


Teus olhos são tão puros, que não suportam ver o mal; não podes tolerar a maldade. Por que toleras então esses perversos? Por que ficas calado enquanto os ímpios engolem os que são mais justos do que eles”?

Deus não é o autor do mal (Jó 34.12).


Não se pode nem pensar que Deus faça o mal, que o Todo-poderoso perverta a justiça”.



Deus pode usar o mal para realizar o seu propósito?

Sim, a Escritura nos revela que:

Deus (indiretamente) provocou algum tipo de mal. Porém, o mal não foi realizado por ele, e sim pelos homens ou por demônios que decidiram fazê-lo.


A Bíblia nos mostra que:


Deus cumpriu o seu propósito por meio da maldade dos irmãos de José (Gn. 50.20).


Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos”.

Deus revelou o seu poder, a sua soberania e sua sabedoria por meio dos sofrimentos que Jó passou (Jó 1.12; 2.6,7; 42.1-6).


“O Senhor disse a Satanás: ‘Pois bem, tudo o que ele possui está nas suas mãos; apenas não encoste um dedo nele’. Então Satanás saiu da presença do Senhor”.

“O Senhor disse a Satanás: ‘Pois bem, ele está nas suas mãos; apenas poupe a vida dele’.

Saiu, pois, Satanás da presença do Senhor e afligiu Jó com feridas terríveis, da sola dos pés ao alto da cabeça”.

“Então Jó respondeu ao Senhor: ‘Sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Tu perguntaste: ‘Quem é esse que obscurece o meu conselho sem conhecimento?’ Certo é que falei de coisas que eu não entendia, coisas tão maravilhosas que eu não poderia saber. Tu disseste: ‘Agora escute, e eu falarei; vou fazer-lhe perguntas, e você me responderá’. Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram. Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza’”.

Deus manteve o sofrimento de Paulo para livrá-lo do orgulho e fortalecê-lo espiritualmente (2 Co. 12.7-10).


Para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás, para me atormentar.

Três vezes roguei ao Senhor que o tirasse de mim.

Mas ele me disse: "Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza". Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim.

Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte”.

Deus levou seu Filho para morrer na cruz pelos nossos pecados (At. 2.23).


“Este homem lhes foi entregue por propósito determinado e pré-conhecimento de Deus; e vocês, com a ajuda de homens perversos, o mataram, pregando-o na cruz”.

Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos;

mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus”.

Romanos 3:25,26

“Se quando éramos inimigos de Deus fomos reconciliados com ele mediante a morte de seu Filho, quanto mais agora, tendo sido reconciliados, seremos salvos por sua vida”!

Romanos 5:10

Deus endureceu os corações dos inimigos de Israel, pois queria destruí-lo totalmente (Js. 11.18-20).


“Josué guerreou contra todos esses reis por muito tempo.

Com exceção dos heveus que viviam em Gibeom, nenhuma cidade fez a paz com os israelitas, que a todas conquistou em combate.

Pois foi o próprio Senhor que endureceu os seus corações para guerrearem contra Israel, para que ele os destruísse totalmente, exterminando-os sem misericórdia, como o Senhor tinha ordenado a Moisés”.

A Palavra de Deus também nos revela que:

Deus usa o mal para castigar o seu povo pelos seus pecados.

Deus pode lançar mão de homens maus para castigar os desobedientes.

Deus enviou os Assírios para punir Israel (Is. 10.5,6).


“Ai dos assírios, a vara do meu furor, em cujas mãos está o bastão da minha ira!

Eu os envio contra uma nação ímpia, contra um povo que me enfurece, para saqueá-lo e arrancar-lhe os bens, e para pisoteá-lo como a lama das ruas”.

Deus pode lançar mão de catástrofes para punir os rebeldes.

Deus traz desgraça a uma cidade (Amós 3.6).


“Quando a trombeta toca na cidade, o povo não treme? Ocorre alguma desgraça na cidade, sem que o SENHOR a tenha mandado”?

Deus aplicou uma série de desastres naturais para levar o seu povo a voltar-se para Ele (Amós 4.6.11).


Fui eu mesmo quem deu a vocês estômagos vazios em cada cidade e falta de alimentos em todo lugar, e ainda assim vocês não se voltaram para mim", declara o SENHOR.

"Também fui eu que retive a chuva quando ainda faltavam três meses para a colheita. Mandei chuva a uma cidade, mas não a outra. Uma plantação teve chuva; outra não teve e secou.

Gente de duas ou três cidades ia cambaleando de uma cidade a outra em busca de água, sem matar a sede, e ainda assim vocês não se voltaram para mim", declara o SENHOR.

"Muitas vezes castiguei os seus jardins e as suas vinhas, castiguei-os com pragas e ferrugem. Gafanhotos devoraram as suas figueiras e as suas oliveiras, e ainda assim vocês não se voltaram para mim", declara o SENHOR.

"Enviei pragas contra vocês como fiz com o Egito. Matei os seus jovens à espada, deixei que capturassem os seus cavalos. Enchi os seus narizes com o mau cheiro dos mortos em seus acampamentos, e ainda assim vocês não se voltaram para mim", declara o SENHOR.

"Destruí algumas de suas cidades, como destruí Sodoma e Gomorra. Ficaram como um tição tirado do fogo, e ainda assim vocês não se voltaram para mim", declara o SENHOR”.

Deus é o autor da desgraça quando aplica o seu juízo (Is. 45.7).


“Eu formo a luz e crio as trevas, promovo a paz e causo a desgraça; eu, o Senhor, faço todas essas coisas”.

"Agora, portanto, diga ao povo de Judá e aos habitantes de Jerusalém: ‘Assim diz o Senhor: Estou preparando uma desgraça e fazendo um plano contra vocês. Por isso, converta-se cada um de seu mau procedimento e corrija a sua conduta e as suas ações’”.

Jeremias 18:11

Quem poderá falar e fazer acontecer, se o Senhor não o tiver decretado?

Não é da boca do Altíssimo que vêm tanto as desgraças como as bênçãos?

Como pode um homem reclamar quando é punido por seus pecados?

Lamentações 3:37-39

A Bíblia Sagrada também nos revela que:

Deus é soberano sobre Satanás e sobre os espíritos malignos.

Podemos entender pela Escritura que:


Deus pode lançar mão de forças demoníacas para disciplinar os desobedientes.

Deus enviou um espírito maligno para atormentar Saul (1 Sm. 16.14-16).


“O Espírito do Senhor se retirou de Saul, e um espírito maligno, vindo da parte do Senhor, o atormentava.

Os funcionários de Saul lhe disseram: ‘Há um espírito maligno mandado por Deus te atormentando.

Que nosso soberano mande estes seus servos procurar um homem que saiba tocar a harpa. Quando o espírito maligno se apoderar de ti, o homem tocará a harpa e tu te sentirás melhor’”.