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O que leva o homem a servir a Deus?



Isaías 6.1-8:


“1No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo.

2Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava.

3E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.

4As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça.

5Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!

6Então, um dos serafins voou para mim, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz;

7com a brasa tocou a minha boca e disse: Eis que ela tocou os teus lábios; a tua iniquidade foi tirada, e perdoado, o teu pecado.

8Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim.”


Introdução

Quando o homem se dispõe a servir a Deus?

O que leva o homem a atender o chamado de Deus?



Isaías:


É o autor deste livro;

Seu nome significa “O Senhor é salvação” ou “A salvação provém do Senhor”;

William MacDonald diz que: “A palavra salvação ocorre 27 vezes no livro de Isaías (ARA) e apenas 7 vezes nos textos de todos os outros profetas juntos”. [...] os capítulos 1-39 retratam a profunda necessidade humana de salvação, enquanto os capítulos 40-66 mostram a provisão generosa desse dom por Deus”;

O tema da mensagem de Isaías era a salvação recebida somente pela graça, pelo poder de Deus, o Redentor, e não pela força do homem, nem pelas boas obras da carne conforme (Gleason L. Archer Jr – Panorama do AT);

Mas Isaías também falou sobre a profanação no meio do seu povo, os juízos, o convite, o consolo e as promessas divinas;

E por fim, Isaías fala do Messias que deveria de vir ao mundo;

É considerado o maior de todos os profetas e conhecido como “o evangelista do AT”;

Merril F. Unger disse que: “Isaías [...] é o maior dos profetas e oradores hebreus. O esplendor da linguagem, a vivacidade das figuras de linguagem, além da versatilidade e beleza do estilo de seu texto são inigualáveis. É justificado ter recebido o título de “príncipe dos profetas do Antigo Testamento”;

Pregou para os habitantes de Jerusalém, mas também para as nações em volta;

Foi usado por Deus porque o seu povo estava com o coração duro e não se importava com os propósitos de Deus, o que resultou na destruição da nação e no exílio dos seus habitantes;

Estava em Jerusalém, capital de Judá.

começou o seu ministério antes 740 a.C., durou em torno de 60 anos de acordo com a tradição;

É o segundo livro do AT mais citado no NT depois de Salmos.


O que levou este homem que antes tinha lábios impuros a servir a Deus tornar-se um dos maiores profetas do Antigo Testamento?


Comentário


O texto sagrado que lemos fala:


Da época em que Isaías foi chamado para o ministério (1);

Da visão que Isaías teve de Cristo (1-4);

Da confissão de pecado de Isaías (5);

Da graça de Deus concedida a Isaías (6);

Do chamado de Isaías para ser um profeta (8).


Agora que já sabemos os pontos principais deste contexto, vamos entender que:


1. O que leva o homem a servir a Deus é a revelação divina (1).

O texto bíblico nos mostra que:

A revelação divina ocorre muitas vezes nos momentos mais difíceis da vida (1).


Isaías viu o Senhor no ano em que o rei Uzias morreu.

“No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo”.


Uzias foi um rei íntegro e próspero, um administrador eficiente e um líder militar capaz, mas sucumbiu ao orgulho e foi castigado com lepra (2 Cr. 26.16,19,20).

J. Oswalt disse:

“No contexto de tal crise, Deus pode mais facilmente tornar-se conhecido do que quando os tempos são favoráveis e somos confiantemente complacentes.”[1]


Além de Isaías ter visto Deus num ano crítico, a Bíblia nos revela que:


Jó viu Deus no seu sofrimento (Jó 42.5).

“Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem”.


Daniel viu Cristo exilado na Babilônia (Dn. 7.13).

“Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem”.


João viu Cristo isolado na ilha de Pátmos (Ap. 1.12,13).

“12Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro 13e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem, com vestes talares e cingido, à altura do peito, com uma cinta de ouro”.


O texto em tela também nos mostra que:


A revelação divina mostra a soberania do Senhor (1).


Isaías viu a soberania de Senhor.

“No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo”.


A soberania de Deus é eterna, suprema e universal.

O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento diz ao comentar este versículo:

“O trono onde o Senhor está assentado, que é alto e exaltado, representa seu reinado eterno, supremo e universal. Ele está acima de todos os reis, porém, ao mesmo tempo, preocupa-se com o bem-estar do seu povo”.


A revelação divina mostra a santidade do Senhor (1-3).


Isaías viu Senhor no templo sendo glorificado pelos Serafins.

“1No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. 2Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. 3E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”.


A santidade de Deus é indescritível!


O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento comenta o seguinte sobre este versículo:

“Repetir duas vezes a palavra santo, em hebraico, equivale a descrever alguém como santíssimo. Repetir a palavra santo três vezes eleva o adjetivo ao nível máximo. Em outras palavras, a santidade de Deus é indescritível pela linguagem humana. Ser santo significa ser diferente, distante ou transcendente. Portanto, a canção do serafim é um refrão constante sobre o fato de a transcendência de Deus ser indescritível”.


A revelação divina leva o homem a verbalizar a soberania de Cristo (5).


Isaías afirma enfaticamente que viu o Rei (5).

“Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos”!

A soberania de Deus pode ser vista quando a soberania humana é removida.


J. Oswalt disse:

“Não pode ser mera coincidência que Isaías tenha visto o Rei no ano da morte do rei Uzias. O profeta reconhecia que o destino da nação, tanto quanto seu próprio destino, não repousa finalmente na mão de algum rei humano, por mais competente e fiel fosse o rei. Ao contrário, está nas mãos do Único, o genuíno Monarca da criação. Como sucede com frequência, apenas quando o rei menor foi removido o Rei maior pôde ser visto”.[2]

Governos humanos são passageiros, mas o governo divino é eterno.

Quando um governo humano acaba, o governo divino continua.


Quem é este Senhor que Isaías viu?


João, o discípulo de Cristo afirma que Isaías viu a glória de Cristo (Jo. 12.37-41).

“37Mesmo depois que Jesus fez todos aqueles sinais milagrosos, não creram nele. 38Isso aconteceu para se cumprir a palavra do profeta Isaías, que disse:

“Senhor, quem creu em nossa mensagem, e a quem foi revelado o braço do Senhor?”

39Por esta razão eles não podiam crer, porque, como disse Isaías noutro lugar:

40“Cegou os seus olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure”.

41Isaías disse isso porque viu a glória de Jesus e falou sobre ele”!


A Palavra de Deus também nos mostra que:


2. O que leva o homem a servir a Deus é o perdão divino.

Os versos 5 a 7 nos apresentam três verdade sobre o perdão divino:


O perdão divino é concedido para aqueles que enxergam e confessam os seus pecados (v. 5).


Isaías confessa o seu pecado.

“Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!”.


O primeiro pecado que tem que ser visto é o nosso e depois dos outros.


Warren Wiersbe comenta o seguinte:

“Antes de ministrar a outros, devemos nos permitir ser ministrados por Deus. Antes de proferir “ais” contra os outros, devemos sinceramente dizer: “ai de mim”. A convicção de Isaías de seus pecados conduziu-o a confissão, e a confissão levou à purificação (1 Jo. 1.9). Assim como Isaías, muitos dos grandes heróis da fé viram-se como pecadores e humilharam-se diante de Deus”.


William MacDonald disse:

“A visão produz uma convicção profunda do pecado no profeta e o conduz à confissão”.